Sexo consigo.
- Declan Geska Fernandes

- 23 de jul. de 2019
- 3 min de leitura
Eu não quis dizer o que você pode pensar que eu quis dizer. Mas disse...

Costumo conversar com minha amiga, que também é psicóloga sobre sexo e suas variações, e como que por curiosidade resolvi pesquisar sobre o assunto. Se você digitar “sexo consigo| sexo sozinho” no Google, verá que a maioria dos resultados se refere a masturbação, e parece que a maioria das pessoas também compreendem o termo assim, mas fugindo disso vez disso, quero que você expanda seus conceitos de “sexualidade individual” para incluir muito mais elamentos nesse entendimento, porque acho que, se você fizer isso, sua vida sexual melhorará.
Então, o que quero dizer quando digo “sexo consigo” e “sexualidade individual”? Sim, de alguma forma posso estar me referindo a masturbação. Para mim, isso é apenas um aspecto disso. Mas falo principalmente sobre suas experiências interna de sexualidade e de suas expressões externas escolhidas para expressar essa experiência interna. Isso pode incluir suas fantasias românticas, sensuais, eróticas e sexuais; bem como você experimenta sua sexualidade em seu corpo sensualmente, eroticamente e sexualmente; sua relação com o prazer; como você utiliza sua mente e corpo para expressar essa sexualidade (aqui é onde a masturbação entra, mas também pode se manifestar no modo em como você se veste ou dança ou mesmo, quando e onde você escolhe manifestar desejos sexuais e com quem); e até coisas como aquela prazerosa e divertida que você tem quando vê uma pessoa atraente na rua, ou a tomada de decisão envolvida quando você decide flertar com aquele garçom que anota seus pedidos todas as sextas-feiras.
Você consegue vê o que eu quero dizer agora? A sexualidade consigo mesmo precisa abranger tudo isso e muito mais, porque a sua sexualidade individual é o seu primeiro e principal relacionamento sexual e é um relacionamento que você terá por toda a vida, independentemente do seu status de relacionamento. Pode e provavelmente vai muda ao longo de sua vida à medida que você cresce e tem novas experiências desafiadoras e bem-sucedidas. Infelizmente para muitas pessoas, sua sexualidade individual também pode causar confusão, medo e vergonha.
Com base nos livros e artigos que tenho lido ao longo dos anos e falando em generalizações, parece que muitos homens, independentemente da orientação sexual, parecem entender melhor minha definição de sexualidade individual. Eles já tiveram centenas, se não milhares, ou mais experiências privadas com eles mesmos e seus corpos. Contraponde essa realidade, muitas mulheres parecem precisar de alguma ajuda com essa ideia. Muitas de minhas referências femininas não têm uma sólida compreensão, aceitação ou experiência de prazer com sua sexualidade individual. Existem muitas causas possíveis para isso. Como por exemplo, o medo de nossa cultura de uma mulher estar verdadeiramente empoderada com seus poderes sexuais e corporais; a natureza de tabu do prazer feminino; e como a sexualidade feminina tem sido historicamente minimizada, negada ou mesmo pensada para estar lá para o propósito dos homens. Algumas mulheres sentem-se pouco à vontade em se masturbar e algumas sentem que deveriam (palavra pesada, ainda mais usada nesse contexto) experimentar sua sexualidade apenas em um ambiente de parceria, muitas vezes heterossexuais.
Não são apenas algumas mulheres que têm essa última crença. Outros subgrupos de pessoas que parecem precisar de ajuda para abraçar a ideia da sexualidade individual, essa realidade é notória ao fazer uma breve pesquisa onde é possível perceber que esses subgrupos, por exemplo, são membros de algumas religiões e aqueles em alguns programas de 12 passos que dizem que o sexo em parceria é o único sexo aceitável que se pode ter.
Essa realidade é muito preocupante, e devemos falar abertamente sobre sexo em suas diversas expressões, pois a sexualidade faz parte da essência de ser humano, e tal repressão causada sempre por elementos externos, pode acarretar inúmeros outros problemas de ordens emocionais e sexuais.



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